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Uma Nova Abordagem Na Psicologia – A Psicologia Transpessoal

Uma Nova Abordagem na PsicologiaO termo “transpessoal” foi referendado, pela primeira vez, na área da psicologia, por Carl Gustav Jung, utilizando a palavra überperson, em 1916, e uberpersönlich, em 1917, que significam supra pessoa e supra pessoal respectivamente (Simões, 1997, p. 48).

Como uma nova abordagem em Psicologia, a Transpessoal foi anunciada, no ano de 1968, pelo Psicólogo Abrahan H. Maslow, no prefácio da Segunda edição de seu livro “Toward a Psychology of Being”, quando era presidente da American Psychological Association e presidente do Conselho do Departamento de Psicologia de Brandeis University (gestão de 68/69).

“Devo dizer que considero a Psicologia Humanista ou Terceira Força de Psicologia, apenas transitória, uma preparação para a Quarta Psicologia, ainda mais elevada, transpessoal, transhumana, centrada mais no cosmo do que nas necessidades e interesses humanos, indo além do humanismo, da identidade, da individuação e quejandos…” (Maslow, s.d.p. 12).

No ano seguinte, Maslow fundou a Associação de Psicologia Transpessoal, com sede na Califórnia, juntamente com Carl Rogers, Victor Frankl; Antony Sutich; Charlote Buhler, Stanislav Grof e James Fadiman. Fundou, também, o Journal of Transpersonal Psychology, com Antony Sutich, que foi o editor e primeiro diretor desde 1969 até a sua morte em 1976. Na primeira edição do referido jornal, Antony Sutich, com uma ressalva do caráter provisório e de uma evolução posterior do conceito, publicou uma longa definição:

“Psicologia Transpessoal ou Quarta força é o título dado à uma força que está emergindo no campo da psicologia, por um grupo de psicólogos e profissionais, homens e mulheres de outros campos que estão interessados naquelas capacidades e potencialidades últimas que não têm um lugar sistemático na teoria positivista e behaviorista (“primeira força”) nem na psicanálise clássica (“segunda força”) nem na psicologia humanista (“terceira força”). A Psicologia Transpessoal se relaciona especialmente com o estudo empírico e a implementação das vastas descobertas emergentes das metanecessidades individuais  e da espécie, valores últimos, consciência unitiva, experiências culminantes, valores do ser (being- ser) êxtase, experiência mística, arrebatamento, último sentido, transcendência de si, espírito, unidade, consciência cósmica, vasta sinergia individual e da espécie, encontro supremo, interpessoal, sacralização do cotidiano, fenômeno transcendental, bom humor cósmico, consciência sensorial, responsividade e expressão elevadas ao máximos, conceitos experenciais, e atividades relacionadas” (Sutich, 1969, p. 15).

Através de suas pesquisas, Maslow observou a existência de uma dimensão saudável da consciência inerente ao ser humano, não inserido, até então, na Psicologia, aplicando essas descobertas na educação, na clínica e na organização.

Esse conceito evoluiu com a contribuição de vários autores. Para Weil, é o estudo dos estados de consciência, particularmente, o estado transpessoal. Walsh e Vaughan afirmam: “é o estudo psicológico das experiências transpessoais e seus correlatos: natureza, variedade, causas e efeitos” (Walsh e Vaughan, 1997, p. 17).

Almendro destaca que as definições não excluem, nem tampouco invalidam o pessoal; reporta-se ao prefixo “trans” que significa mais além, através de, ressaltando o “através de”; pois, em nenhum momento, pretende-se uma evasão do pessoal e acrescenta:

O transpessoal busca através de práticas em estados que transcendem o ego integrar o transcendental, ou espiritual nas dimensões pessoais, realizando nossa dimensão profunda, fluindo na transformação, mas sendo sensível às faíscas do eterno (Almendro, 1998, p. 50).

Ken Wilber traz o aspecto da complementaridade dos diversos pontos de vista. Para ele, estaria mais definida a posição da Transpessoal como integradora do chamado “três olhos do conhecimento”: sensorial, introspectivo-racional e contemplativo, diferenciando-a de outras disciplinas que se definem por alguns desses aspectos, ignorando o resto (Wilber, 2001, p. 85).

Segundo ele, as dificuldades emergentes do nosso tempo são derivadas do empobrecimento da dimensão transubjetiva do ser.

Sua desnaturalização e sua profanação podem aumentar os fenômenos do irracionalismo, do obscurantismo, e da intolerância, cujas conseqüências humanas, interhumanas e sociais são incalculáveis… A Construção de uma pessoa passa inevitavelmente por uma dimensão transpessoal (Nicolescu, 1999, p. 120 – 136).

Tal apreensão encontra-se explicitada na reflexão de transpessoal em Maslow, quando afirma que, sem o transpessoal, tornamo-nos violentos, niilistas, ou vazios de esperança (Maslow, s.d: 12).

A sobrevivência de nossa espécie depende, em grande parte, da eliminação de uma das tensões fundamentais de nossa época, aquela entre o material e o espiritual, mediante uma conciliação vivida, um nível de experiência diferente do corriqueiro entre essas duas contradições aparentemente antagônicas (Nicolescu, 1999, p. 136).

Desde sua origem até sua visão mais recente, as definições da Psicologia Transpessoal observam os postulados de Maslow, e sua posição de que a ciência deve agregar valores. Estes mantêm estreitas correlações com a educação, princípios éticos e necessidade de se favorecer uma psicologia que contemple não só as deficiências, mas também aspectos saudáveis que podem ser estimulados e desenvolvidos na natureza humana, e que são fundamentais para a continuidade de nossa espécie e, do próprio planeta.

Comentários(4)

  1. REPLY
    Emília diz

    Boa noite!
    Muito gostaria que a ALUBRAT facultasse mais cursos ou workshops na área da Psicologia Transpessoal!! E tão necessários são, nestes tempos de mudanças profundas!
    Grata
    Emília Gil

  2. REPLY
    Marlete Rezende Oliveira diz

    Recebi a formação em Transpessoal por 3 anos e descobri uma abordagem riquíssima em técnicas e valirização do ser humano. Sou grata a todos os formadores que transmitiram seus conhecimentos.

    • REPLY
      Joselita diz

      Onde vc fez sua formação?

    • REPLY
      Caroline Dib diz

      Marlete, onde te encontro?
      carolinedib@hotmail.com

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