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O FEMININO: PODER, SENSIBILIDADE E INTUIÇÃO NA PRÁTICA DA ABORDAGEM INTEGRATIVA TRANSPESSOAL

(O resgate do feminino)

Vera P. Saldanha

Ao refletirmos sobre a evolução e desenvolvimento do ser humano, evidenciamos a repressão do feminino em nosso planeta, nas mais diferentes culturas, refletindo na sociedade, na política, gerando uma deformação na atitude de vida, na educação e na saúde.

Ao se criar estereótipos do gênero masculino e feminino desconsideram-se o ser, em sua inteireza, trazendo danos tanto ao homem quanto à mulher.

Estes aspectos se revestem de uma importância significativa no setting terapêutico.

Além do trabalho a ser feito com o cliente, também é necessário ao terapeuta uma sinergia em si entre ambas as polaridades, masculina e feminina, para que possa ter sensibilidade, intuição, e poder necessário à profunda jornada da psique, que pode emergir no contexto terapêutico.

Contudo, estes temas: sensibilidade, intuição e poder devem ser refletidos à luz de um novo momento, de uma nova etapa da evolução da consciência, onde se caracteriza não como o poder de fazer e ter, mas o poder para ser e estar consigo próprio, e com o outro, em sua trajetória única e especial, a nível pessoal e transpessoal.

É preciso ter a sensibilidade de facilitar ao outro ir à direção a si mesmo, a sua própria essência, sentindo que você terapeuta, está com ele durante todo o percurso do caminho.

A compreensão de que o indivíduo adoece, quando seu núcleo essencial é negado ou reprimido nos leva a citar inicialmente as grandes fontes de repressão no ser humano segundo Graf Dürckhein.

Os antigos terapeutas de Alexandria e Dürckhein enfatizavam que não há caminho para a luz que não faça a travessia pela sombra.

Como terapeuta, certamente você irá trabalhar estes temas, luz e sombra, com seus clientes, mas, mais ainda como terapeuta deverá trabalhar em si próprio, estes elementos.

A sombra é a parte reprimida de nós mesmos, necessária a ser reconhecida, percebendo os alcances e limites, da realidade em si.

Dürckhein nos fala de cinco tipos de sombra: a primeira, a agressividade, que quando reprimida pode voltar-se contra nós. Ao reconhecê-la, podemos re-orientá-la. Ao aceitar, transformá-la em criatividade, e energia necessária para ir até o fim do nosso mais profundo desejo e de nossas mais nobres realizações.

A segunda fonte de sombra é a repressão da sexualidade, tão bem estudada por Freud. Porém, Dürkhein, acrescenta reflexões sobre Eros na sexualidade. Diz que não se deve recalcar em nós a dimensão erótica da sexualidade. Para ele, Eros propicia o sexo alado, capaz de nos abrir às dimensões da transcendência. Em contrário perdemos as cores do arco-íris, as manifestações de maior, ternura, perdão, gratidão, gratuidade, amor. É a melodia, a música do canto do encontro.

A terceira fonte de sombra é repressão do feminino, que estaremos evidenciando logo a seguir. Homens e mulheres devem encontrar esta dimensão profunda do feminino. Inevitavelmente, o retorno à dimensão espiritual do ser, passa pela reconciliação com o feminino.

Para o terapeuta transpessoal, se faz necessário, navegar nas ondas de sua própria espiritualidade, para ter acesso à experiência espiritual da psique em si, e no setting terapêutico quando emerge naquele com quem se trabalha. É importante lembrar que falamos da experiência espiritual da psique, que independe da religiosidade do indivíduo. É uma experiência que faz parte de sua própria natureza transpessoal, e não de conceitos ou dogmas adquiridos.

O quarto nível de sombra em nós é a repressão da individualidade criadora, capaz de introduzir imaginação, fantasia em nosso próprio trabalho.

Exercer na própria vida a poesia, a dança da criatividade. Ter uma forma criativa de escutar. A palavra não é somente daquele que fala, mas também daquele que ouve. Há uma maneira fecunda de se escutar e fazer no contexto terapêutico. Para J.Y. Leloup, há pessoas que escutam coisas mais inteligentes do que aquelas que ele fala, quer dizer elas acrescentam criatividade, conhecimento, e a própria experiência à sua fala.

A quinta dimensão que podemos reprimir em nós mesmos, é a recusa ao ser essencial. O ser que é capaz de transitar pela luz e pela sombra. É estar lado a lado de seu mais íntimo desejo. É ser o sujeito dos acontecimentos e das circunstâncias.

O ser essencial lembra-nos que em uma árvore, a folha não é somente uma folha. Ela é também a expressão da árvore. A orientação do coração que é diferente no ser essencial, alerta Dürckhein.

Para Maslow, a raiz viva de nosso potencial humano, é a nossa essencial natureza interior, que reprimida, negada, nos adoece sempre, de forma óbvia, ou de maneira sutil.

Cada um destes elementos de sombra propicia temas importantes a serem desenvolvidos para a prática terapêutica na abordagem transpessoal. São molas mestras que impulsionam a transformação e crescimento no indivíduo.

Contudo iremos delimitar, à repressão do feminino, e suas implicações em nossa cultura, evidenciando a importância de resgatar o feminino e possibilitar sua sinergia no próprio terapeuta de orientação transpessoal.

Em nossa época atual, o resgate do feminino pode se tornar uma nova oportunidade de vida. Uma grande aventura, repleta de descoberta, dos potenciais que foram cerceados, reprimidos nas gerações anteriores, nos homens e nas mulheres.

As recentes investigações da arqueologia e da antropologia têm reconstruído nossa estória, assegurando-nos que houve um mundo antigo de parceria, entre homens e mulheres que durou aproximadamente 20.000 anos. Depois, há cerca de 5000 anos, um desvio sangrento, gerando a dominação masculina.

Houve a invasão de imensas regiões na Eurásia, no Oriente Médio, na Grécia, e na Índia, por povos nômades, chamados semitas e arianos.

Desciam as estepes russas, com rebanhos de gado e carneiro, em busca de terras para conquistar. Destruíam a cultura agrícola, matavam os homens que não eram treinados em lutas e nem possuíam armas.

Tornavam as mulheres e as crianças escravas para o trabalho e procriação.

Criaram uma visão de mundo competitiva, que se tornou o paradigma vigente até nossos dias. Um padrão histórico de poder vinculado à dominação e destruição de outros.

Deliberadamente, mataram e sepultaram a verdade sobre a natureza igualitária da sociedade passada, levando todas as pessoas, a crerem que os homens sempre estiveram no comando como pais, políticos, sacerdotes ou Deus.

Mais ainda, colocaram valores estereotipados como dominação, guerra, competição, luta, força física, individualismo inflexibilidade, conquistas pessoais, análise, entre outros, como definição de masculino, vinculados ao homem e atributos superiores.

Elementos como receptividade, sensibilidade, proteção, fragilidade, emotividade, nutrir, parir, entre outros como vinculadas à mulher, inferiores e indesejáveis.

Assim estabeleceu-se uma cisão psicológica, confundindo forças energéticas, de diferentes teores, chamados na psicologia de arquétipos, com o gênero feminino ou masculino, homem ou mulher.

Foi reprimido, subjugado, não só as mulheres, como os valores, virtudes, e capacidades do feminino. As qualidades consideradas femininas, como compaixão, não-violência, afeição, tolerância, conexão, união, rede, intuição, silêncio, graça, espontaneidade, vulnerabilidade, visão global, capacidade de síntese, formação de redes, interdependência, preservação, e outras tantas, se aplicam ao arquétipo feminino que existe em ambos os sexos.

O arquétipo masculino separa, organiza, discrimina, resiste, planeja, é lógico-racional, diferencia, analisa. Ambos os arquétipos tem seus alcances e limites, virtudes e chagas.

Os arquétipos são forças poderosas de nossa psique, imagens primordiais que podem moldar nossa personalidade, direcionar nosso comportamento, criar determinadas crenças e valores, gerando atitudes, e atuando em nossa sociedade, educação, política e saúde.

Contém aspectos construtivos e destrutivos. Estes últimos ocorrem quando são totalmente reprimidos, ou ao contrário inflacionados e direcionados a interesses pessoais, que se vinculam à ambição, poder e apegos ego centrados.

A hegemonia masculina ao longo destes séculos, reprimindo atributos necessários a evolução do ser em sua inteireza, levaram a criação de um sistema dominador, propenso a guerra, autoritário, desequilibrado ecologicamente.

A repressão e abandono das características da energia feminina desempenham um papel central tanto nas nossas estruturas psíquicas como no ambiente que vivemos socialmente, a nível familiar e profissional.

A inflação do poder destruidor, ditatorial, abuso contra a terra, a devastação instintiva provocada por guerras políticas, econômicas e religiosas, precipitadas por um poder egóigo, levaram o planeta a uma situação de emergência, de necessidade da integração consciente do princípio feminino, para acelerar o advento de uma nova sociedade, de uma nova consciência.

Foi de importância vital o movimento feminista, para liberar os atributos da energia masculina na mulher, possibilitando assim a luta pela igualdade de direitos, ser atendida em suas necessidades como pessoa, como cidadã. Ser atuante no meio profissional, em redutos que eram exclusivamente masculinos. Porém, é necessário liberar o feminino na própria mulher. Sua sensibilidade foi deformada. É preciso aprender a reverenciar a natureza, reverenciar o próprio corpo.

Reencontrar a sabedoria primal que nos faz sentir a vida como um direito legítimo, inato, a ser vivido com alegria e plenitude. Ter a força e coragem para ouvir e recepcionar o próprio feminino de forma consciente, com igualdade de direitos, de ser também ouvida e atendida em suas necessidades específicas como mulher.

O feminino permite atender a cada nível da existência humana, percebendo a relação e interdependência entre eles, experenciando a vida como um processo, e não como partes estáticas desconectadas entre si.

É o despontar de uma nova etapa no panorama social, político, educacional e na saúde. É importante antever as tendências atuais.

É preciso que o homem, também permita a emergência em si dos atributos e virtudes do arquétipo feminino, para sua própria cura, e a do planeta. Assistimos hoje, um número significativo de homens sensíveis, mas que se sentem desencontrados, sem espaço nem lugar, em uma sociedade onde ainda se predomina a competitividade desleal, o oportunismo circunstancial, a perda  do sentido do sagrado na vida cotidiana, na relação entre as pessoas.

Contudo é necessário que haja uma sinergia positiva entre os arquétipos femininos e masculinos no próprio homem. Não basta ter sensibilidade e intuição para exercer a psicoterapia transpessoal.

Se estas características se aliarem, a chaga do poder masculino ego centrado, o psicoterapeuta corre o risco de exercer uma dominação sob inflação egóigo, em verdadeiros acting-out, contratransferências, e até chegar a nível de crueldade no uso do seu pseudo-saber.

É o psicoterapeuta que em mero exibicionismo de sua sensibilidade intuitiva tem como referencial apenas o seu tempo pessoal, precipitando comunicações de forma grotesca que desconsideram no contexto terapêutico o que há de mais precioso para que a relação terapêutica ocorra: – o outro.

Tal união de arquétipos, o poder dominador, autocrático, cheio de julgamento, em conjunto com a percepção da expansão da consciência, se torna mais danosos ainda no trabalho de orientação transpessoal, onde o outro está profundamente sensibilizado, também em diferentes níveis de consciência e até vulnerável em alguns deles.

Atualmente, mesmo em relação ao próprio psicoterapeuta convencional, que exerce o poder no referencial cartesiano, pragmático, há literaturas que evidenciam o abuso do poder em psicoterapia.

O poder vigente, revestido de um machismo, oportunista e circunstancial, onde muitas vezes a dignidade e o respeito humano não são considerados, é um poder desacreditado, decadente, não subsistirá por muito mais tempo, ou toda a vida no planeta perecerá.

Hoje muitas pessoas conscientes, sensíveis, que permitem evidenciar a inteireza de seu ser, temem pelos valores que assolam nosso planeta e declaram: Precisa-se de um novo poder na sociedade, na política, na ciência, na educação, e na própria relação humana.

Há dez anos a ONU vem denunciando que não podemos mais assistir passivamente o uso indevido e destrutivo que se faz das descobertas científicas. Frederico Mayor, na Unesco, em 1993, alertou: “Criamos uma cultura de guerra. Precisamos criar uma cultura de paz, se quiser garantir a sobrevivência”.

Para que a mulher conquiste um poder real, colaborando neste processo, é preciso que esteja ciente de seu papel feminino interior e integre-o em sua prática profissional, política, em sua vida cotidiana. Há uma ascensão de um novo tipo de força: – O poder da criatividade.

É necessário sensibilidade, intuição, para que a criatividade e espontaneidade não se petrifiquem, favorecendo a sinergia do feminino com o masculino.

O poder que tem predominado neste último milênio, seja na política ou religião, familiar ou social, na educação, ou na saúde, causou sérios danos à nossa espécie.

Se as mulheres tentarem herdar este tipo de poder, estarão falhando na base, e fadadas ao insucesso. Simplesmente continuará repetindo compulsivamente uma atuação que desconsidera o ser em sua totalidade, em sua plenitude, um poder cruel e desumano.

É importante que os homens também se conscientizem desta realidade, e estejam receptivos às mudanças.

Poder e destruição no referencial patriarcal estão altamente vinculados. É por isto que tantas mulheres consciente ou inconscientemente temem o poder.

Às vezes não o desejam, e se o alcançam, não o exercem de forma ampla e irrestrita, omitindo-se.

A dignidade humana, o respeito, a preservação e formação de redes, o comprometimento e a ética serão a ordem do dia em todas as lideranças da próxima década. Farão parte da saúde, farão parte da educação.

Trazer valores como compaixão, não violência, o importar-se com todas as áreas da vida, a capacidade de sentir, reverenciar ao próprio corpo, a terra, a natureza, para de fato exercer uma liderança transformadora.

Estar sempre atento às mudanças e crescimento contínuo do processo transformador se impõem hoje, a homens e mulheres que desejam aprimorar o processo evolutivo de suas consciências.

A verdadeira liderança não busca a satisfação egóiga dos ideais pessoais.

Hoje todos nós, ansiamos por mudanças, por renovações. Quando consciências são sensibilizadas, tocadas, por algo verdadeiro, real, a união acontece, e a força de mudança emerge. Líderes e seguidores são engajados em um relacionamento dinâmico, afetando uns aos outros positivamente.

A idéia de mulheres salvarem uma sociedade decadente não é nova. Já em 1890 – Havelock Ellis viu uma invasão eminente de mulheres na liderança, como fonte de renovação. Dizia ele que as propostas masculinas de organização social atingiram um ponto morto. Certamente, aqui se sugere o arquétipo de forças e virtudes femininas que as mulheres representam.

Inúmeros trabalhos sobre o arquétipo feminino, a força das deusas, a simbologia da grande mãe, tem sido evidenciados na psicologia transpessoal, como sendo estados de consciência, pertinentes à determinados estágios evolutivos do ser humano. Especialmente Jean Yves Leloup, tem refletido sobre os arquétipos da Samaritana, Maria Madalena, e a Virgem Maria.

As pessoas com maior sensibilidade aos relacionamentos e aspectos sociais, podem imaginar meios de transcender conflitos e confrontos. Mas, é necessária a integração dos dois princípios no ser para que a ação ou inação adequada se efetive.

O masculino planeja, organiza, por exemplo, a utilização da terra, mas o princípio feminino inclui a preocupação com a conservação, preservação e distribuição igualitária.

Somente após o feminino ter reconhecido que se permitiu ficar alienado do masculino, e se integrar, é que se poderá acentuar a força emergente necessária ao planeta, para os homens e mulheres.

Precisa-se considerar necessidades e qualidades especiais destas direções masculino e feminino, para que ocorra uma síntese criativa.

Qualquer inclinação à dominação parcial de uma destas tendências será de natureza destrutiva.

Há hoje, um novo paradigma em ascensão, um paradigma que encontra eco aos anseios de uma população ampla, e faz parte da grande força do inconsciente coletivo emergente.

Uma população que deseja ser tocada em sua sensibilidade, em suas necessidades mais genuínas e essenciais, despertando sua própria consciência.

Não se deve esperar só pelo desenvolvimento intelectual dos homens e das mulheres. Há muito mais a ser despertado, cultivado, vivenciado, e utilizado como contribuição vital à nossa cultura.

A mulher atual integrando em seu dia a dia, no seu profissional, pessoal, na política, sua sensibilidade e intuição, exercitará naturalmente uma liderança, uma força, um poder com características próprias. Um poder que lhe é inerente e que encontrará co-ressonância nos anseios de milhares de pessoas que estarão vendo o poder da força física, destruição, dominação, serem transformados em um poder integrador, que transforma os conflitos, transcendendo-os, levando-os a um bem comum.

Neste tipo de poder, é necessário o autoconhecimento, explorar nosso universo interior, para alcançar uma mudança profunda na sociedade. Isto faz parte do poder consciente, da sinergia entre feminino e masculino. Da preparação do eu para acompanhar a transformação do outro, e a própria emergência do Self.

Em 1945 a Unesco já declarou “É no espírito dos homens que nascem as guerras, portanto são no espírito dos homens que devem ser erguidos os baluartes da paz”. É o poder de estimular o saudável, de estimular o espírito, a essência.

Um poder de flexibilidade, permitindo ao oponente tornar-se parte da solução do problema.

Um poder de comunicação, onde rapidamente há captação de novas ideias, novas visões.

O poder de descentralização, um fluxo de novas idéias, imagens e energia para todas as partes do conjunto político, social, familiar, educacional.

O poder da incerteza, não existe nenhum caminho sem riscos. Devemos escolher a série de riscos que desejamos correr. Isto torna mais fácil inovar, experimentar, arriscar.

O poder da diversidade na unidade. O poder da intuição, a busca de uma intuição consensual, procurando ouvir uma orientação que venha de dentro.

O poder da vocação, uma espécie de noção coletiva de significado, sentido de vida, uma compreensão tácita de que as pessoas acreditam em alguma coisa além do sucesso material, além do racionalismo, além da retribuição rápida.

A dimensão espiritual da psiquê, os valores humanistas, já começa a ser consideradas na política, na saúde, como fazendo parte da nossa natureza.

Esta dimensão resgata a unidade do ser, favorecendo a formação de redes.

Redes é uma estratégia através da quais pequenos grupos podem transformar uma sociedade inteira. As redes são cooperativas, representam um processo, são plásticas e flexíveis.

A rede conecta pessoas e interesses de forma surpreendente.

A síntese entre o feminino e masculino, traz ênfase em uma nova perspectiva na política, na saúde, e na educação, onde princípios racionais e intuitivos se reconhecem, em uma interação não linear, mas em um modelo dinâmico, integrado.

Em nosso mundo atual, de tensões complexas, temos que inserir a sensibilidade, intuição como atitudes de vida para que possamos viver vidas que sejam genuinamente criativas, contribuindo para a nossa sanidade e a de todo Planeta Terra.

Desponta para a mulher atual, seu reencontro com o feminino, como a grande força que eclodirá no planeta nas próximas décadas.

Começar já, cultivar e resgatar o seu próprio feminino faz parte da nova perspectiva de mundo, com novos valores, e novas crenças.

Este reencontro ocorre-nos próprios homens, que tiveram também negado em si, seu arquétipo feminino. A qualidade da energia intuitiva e amorosa.

Na saúde mental, e especificamente na prática da psicologia transpessoal, é necessário ao terapeuta trabalhar em si, esta sinergia das potencialidades femininas e masculinas para que de forma integral, estejam presentes no processo terapêutico.

Certamente esta possibilidade se dá, na medida em que se submete a uma psicoterapia, que  faça um trabalho consigo mesmo, amplamente.

No momento em que se tenha atentividade para seus pensamentos, sentimentos, e seu próprio corpo. Que se ouça a quietude e silêncio do seu ser, no seu dia a dia; isto começará a refletir naturalmente em sua própria atitude de vida, em sua postura terapêutica, sem imagens artificiais construídas em cima de técnicas. “A orientação do coração é que é diferente…”.

Esta prática com certeza é um exercício ao longo de toda uma vida. Talvez, ninguém chegue ao equilíbrio totalmente, de forma perfeita, completa.

Mas a sutileza deste trabalho interno nos revela que todo movimento nesta direção já faz parte deste processo, faz parte desta sinergia, necessária ao psicoterapeuta, que atua no referencial da Terapia Integrativa Transpessoal.

É preciso estar sempre lutando com sinistras forças obscuras em si e nos outros, afirma A.G. Craig, em seu livo, “O Abuso do Poder em Psicoterapia”, mais ainda… “A tarefa do psicoterapeuta só será cumprida através de permanentes confrontos com a sombra. Ele não poderá como Isac na Bíblia, passar uma noite lutando com o anjo para conquistar a bendição. Essa luta dura à vida inteira…”

Ao trabalhar em si mesmo, se dá a possibilidade do encontro, do estar com, da flexibilidade, e ao mesmo tempo da firmeza necessária, no setting terapêutico.

Da certeza que você está continuamente se preparando, fazendo tudo o que é necessário a nível pessoal, a nível teórico e prático, para o seu “ser” terapeuta.

Mas, com clareza suficiente, para saber que a transmutação não está em você. Só se dá se o outro assim se permitir.

Mais ainda, que é um trabalho a dois, e que todos nós fazemos parte de uma unidade muito mais ampla onde realmente a magia da transformação se dá.

Estamos todos, ainda, a caminho do desvendar os mistérios que nossa própria evolução encerra, em nosso desenvolvimento pessoal e transpessoal!

Fonte:
Módulo da Pós em Psiclogia Transpessoal:
Desenvolvimento de Habilidades e Percepção
Dimensão do Feminino e Masculino

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